sexta-feira, 10 de julho de 2015

Já me consigo ver?

Será que é quando estamos surdos que melhor ouvimos? Será que é quando estamos cegos que melhor vemos? Talvez seja quando já não nos lembramos de nós próprios, ou sequer tenhamos controlo sobre esta selvagem mente que sai da sua jaula pelas frisas de metal que sejamos capazes de pensar com clareza e pintar as linhas da turbência que nos rodeia. Gostaria de conseguir sair de mim próprio. Alojar-me na concha de outro, como um caranguejo-eremita, e talvez ver com olhos diferentes. O que será da realidade então? Como será o toque? Ser cego de mim para ter a visão de outro. Apenas ver os verdes prados e dilatar a pupila ao perigo de orelhas atentas. Talvez estes meus olhos estejam gastos como o fino filamento de tungsténio que ilumina o meu quarto, protegendo-me da noite escura e dos medos que nela se ocultam. Talvez devesse ser um animal por detrás desses olhos de negrume. Talvez. São tantos os universos dentro de mim dispostos sobre uma mesa côncava; berlindes lançados pela mão de uma criança em desordem e caos. Pergunto-me o que pensará o coelho, ou o lagarto quando se aquece ao Sol, ou o gato quando olha sério para a parede branca? Reflexos atrás de reflexos, ora dentro de nós, ora nos outros. Já me consigo ver?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Imensidão na palma da palavra

O salto entre uma terra,
e outra.
Pernas para que alcancem.
Cansam de buscar percorrências.
Correspondências entre distâncias.
Instância: tive essa sensação de percorrer.
Correr extremidades.
Externidades meu mundo, vazio de tudo.
Luto.
Pedra no caminho virando pó.
Instância: tive essa sensação de pequenez.
Minha não: do universo
Que sou!