sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tecer vidas?

A morte também pode ser bela. Um fim tem sempre um início. E a roda da vida continua a girar sem cessar, sem se cansar. O pequeno intervalo de tempo, uma pequena distração, um passo em falso é suficiente. Um pulso a mais, outro a menos e a mariposa já não voa mais. Com essa cor característica da paz, o branco, a aranha meticulosamente tece um novelo de morte e desgraça. Se me perguntarem se é belo, responderei que sim. Se me perguntarem se é cruel, responderei que é a natureza. Torna-se então difícil tecer uma linha branca, ténua, entre o belo e horroroso. Deveremos chorar sempre que a fénix se extingue, ou sorrir quando renasce do pó das cinzas? Talvez os dois. É certo e é esquecido que somos todos isto e aquilo, mas um isto feito do mesmo, do mesmo pó, das mesmas cinzas, enrolados numa teia de vida sem início, ou fim, num padrão há muito já desenhado nos astros ardentes, ou no fernesim elétrico dos neurónios, que se repete nas mãos vividas de uma mulher que gentilmente tece o enxoval para o seu neto. Um mesmo emerenhado de fios, ligados entre si de uma forma tão semelhante que chega a ser arrepiante. Que se pode fazer perante tais coincidências? Sorrio.

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