quinta-feira, 11 de junho de 2015

Pulso

Persisto no gesto vazio para verem que não me findo em que dizem que findo, eu não findo, não defino, nem uma nem outra conseguiria definhar-se em findar. Ninguém se termina afinal, vez que, vez não, há movimentação sempre a pulsar e correr pelo corpo todos os sinais da realidade viva que somos. E quando uma dureza de insensibilidade gelada cobre a pele, consome os órgãos, é hora doutras vidas fazerem ocupação, verem sequencia para um desfecho.  
Por traz do debaixo subalgo inferior entre a pedra e a poeira do chao, no tempo entre um segundo e outro: há fluxo, seja de terror e espanto, há pulso. Observo a paisagem morta viva pelos seus timbres, cerro os olhos, piscada bobíssima, e nunca mais verei paisagem morta viva como a vi. Nunca mais meus olhos se fecharão no mesmo instante de tempo, o recorte ali ficou por lá, tudo por mais é reflexo, luzes em reflexos, estrelas mortas, espelhos mentirosos, cores vãs e imperfeição de uma simplicidade que é gesto, e não finalidade. 

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