segunda-feira, 1 de junho de 2015

Para haver sombra, tem de haver luz

Pergunto-me se a minha sombra te castiga. Se as nuvens que por ti passam também ocultam a luz como ocultam a mim. Se foi só a mim que o Sol virou costas, deixando a minha sombra desaparecer para uma maior me ocultar. Uma sombra tão pesada como o tempo em si, pesando-me os ombros como aquela mala que transportava sem que nada tivesse nas costas. Uma mala tão cheia de nada e de tudo, sem alças, sem fundo, sem limites, que tudo carrega, que tudo atraí numa armadilha celestial que até a rápida luz absorve. Tento tirar este mal-estar das costas, deixar de carregar o meu peso e dos outros. Tentar ser livre e poder ver a luz do Sol novamente devolvida aos meus olhos. Talvez a luz que o fogo me devolve seja um começo, em tempos em que as únicas vestes que me combrem a alma são pintadas pelo negrume e o vácuo.

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