quarta-feira, 10 de junho de 2015

Movimento

As formas e os limites são a razão da minha opressão interior. Olharei por algo mais simples. A beleza é simples, mas delicada, não deixando os seus pormenores complexos, mas por outro lado, apresentando-se leve como uma pena que suavemente vai sendo baloiçada pelo vento de forma graciosa, mas ainda desajeitada. Apresenta-se assim a delicadeza de uma bailarina de vestes brancas e cara empalidecida. Quando esta desempenha com a exactidão milimétrica um plié e faz então girar o corpo numa leve pirouette, é possível entender a simplicidade dos movimentos e a graciosidade com que se apresentam até nós numa dança que se parece de tão fácil prática. A beleza prende-se pelo que parece simples. Se de facto desejamos ver este movimento, esta sequência de instantâneos captados pelo nosso olhar, temos de aprender a não nos focarmos no perfeito e no correcto. Ver o movimento como ele é: instável e irregular. Permitirmo-nos apreciar a beleza na imperfeição e voltar à simplicidade. Deixar de tentar perceber o voo coordenado das nuvens no céu e entender que elas são livres de fazer a sua própria trajectória, fazendo o Sol aparecer quando assim o desejam, ou engoli-lo em chuva, apagando a luz.

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