domingo, 31 de maio de 2015

Quero ver mais do que uma sombra

Talvez seja o agora o tempo certo para o início do desapego. Seja pelo tom muitíssimo ausente, outra pele: o impreenchível que tu me deixou.
É tudo por essa opacidade, de tanta clareza no céu, esse azul hipócrita, paradoxal, dizem de uma profundidade infinita - o acho opressor!
Me ajude a parar de culpar, é tudo muito externo, ou eu que o boto de fora pra dentro, quando é de dentro pra fora. Agora mais que agora tenciono a natureza e toco a abstração, toco a memória no tocante você.
É bem uma negação, devo começar por ela: do tempo certo, do pensamento errado, do externar de interiorizar de fazer acontecendo tal como fosse a cor o azul cinza demais, bem como a música falha, a pele com cheiro o tom e quentura e é você quem me aparece de novo. O todo é essa marca, é toda essa transparência que me nunca foi. Tenho peso nos ombros por tudo ver cinza, ainda que em sua casa tivessem muitos vitrais, lembrei (memória indigna que me mata, entre-lugar de lembrar e inventar) de quando você me explicou cada cor, que os raios do sol atravessaram, que eu ficava bem naquela luz. Desse momento eu simplesmente quero uma fotografia, já que todas as coisas refletem corluz e que o negativo fotográfico é mais sensível que meus olhos: "os raios do sol tocando a mão, a nuvem branquinha fazendo contraste no céu azul" - atravesse o mar me trazendo essa foto!

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