sábado, 30 de maio de 2015

O toque


Pergunto-me se foram as palavras que te levaram. Se foram o ais ou uis. As lágrimas e a dor. Se fui eu, se foste tu. Quando te penso esquecido, lembro-te pelos sentidos mentirosos e vacilantes que gentilmente te reconhecem nos pormenores mais tolos e insensatos. No outro dia cheirei-te, hoje provei-te. A colorida paleta dos sentidos, desenha linhas no fundo da minha memória sem que eu me aperceba da textura da cor, dos relevos das telas, ou mesmo das sombras da pintura. Apenas quando sou de novo tocado pelos sentidos, é-me então permitido um novo deslumbrar, numa galeria de arte que pensava esquecida, onde as palavras, os ais e os uis não têm lugar. Onde não há palavras, só saudade.

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